Raphael Lukas
Na última sexta-feira, 2, no campus Rondon da Ufopa os acadêmicos de diversos cursos promoveram um Viradão Cultural. Os eventos culturais no espaço são costumeiros, porém o Viradão de sexta foi uma forma de protestar contra o comunicado veiculado pela reitoria da Universidade. No documento os alunos são impedidos de estar na faculdade após as 23:00 horas e nos finais semana após às 13:00 horas. Para utilizar do espaço público nesses horários os alunos têm de comunicar à diretoria da segurança e esperar por uma permissão.
Mais de setecentos alunos assinaram um abaixo assinado se mobilizando contra a atitude da diretoria de segurança. Além disso, os alunos são impedidos de entrarem acompanhados no campus sem que haja um comunicado prévio à segurança da universidade. Os alunos reclamam também da falta de estrutura da Universidade. Segundo Ramon Santos, acadêmico de direito, há turmas que se assistem aula na parte externa das salas e no auditório por conta da ausência de salas de aula no campus. A biblioteca da universidade se encontra fechada e sem livros. “Se agente quiser estudar temos que ir para o outro campus ou para as bibliotecas de outras universidades”, desabafa. Outra reinvidicação dos alunos é a imposição da atual reitoria, os alunos criticam dizendo que o reitor não foi escolhido de forma democrática como é de costume e sim por uma imposição do Mec.
O acadêmico Ramon cita que a atitude impede que os movimentos sociais e estudantis se reúnam nos finais de semana. “Tem que dizer o que o professor, técnico, alunos vão fazer aqui dentro da universidade”, declara. “O patrimônio é público, é nosso. Em outras universidades essa atitude passa por toda uma discussão, queremos uma universidade democrática” diz Ramon. Uma das reclamações dos universitários é também a dificuldade de transporte. Poucos ônibus passam pela universidade. Alguns estudantes têm de se deslocar para paradas de ônibus a duas ou três quadras da Ufopa Rondon.
“A universidade não é só um escolão aonde agente vem só pra ter aula, agente tem acesso à universidade para produzir conhecimento e cultura” afirma Rômulo Ferreira um dos organizadores do evento. Segundo o acadêmico de biologia a Ufopa não possue um conselho universitário que envolva todas as categorias da universidade, como estudantes, professores e técnicos administrativos. “A reitoria é um órgão executivo e não o que dita todas as regras” afirma Rômulo.
Para Gilson da Silva Costa a Ufopa na prática não está de acordo com o que se foi proposto em sua criação. “Na minuta do estatuto da universidade diz que ela é democrática, aberta, da sociedade, dos povos, está colocada para a construção de um realidade social, econômica ambiental e cultural. E quando agente analisa a partir dos dados concretos da realidade ver-se algo diferente. A história se faz na realidade e não na letra” declara o professor. Gilson fala também sobre a falta de estrutura da universidade. ”Os professores não têm estrutura nenhuma para trabalhar e os estudantes assistem aula em espaços absurdos até de baixo de árvore, quando não em outras escolas. Não temos uma estrutura de ensino, pesquisa e extensão”, afirma lamentando.
A diretoria de segurança da Ufopa afirma no conteúdo do Comunicado que as decisões são medidas que visam garantir a segurança do campus que se trata de um patrimônio público pertencente à União. Espera-se dos gestores da universidade uma reposta a toda essa questão. E que os diretores da instituição possam articular medidas que para melhorar essa situação caótica que se encontra a Ufopa.
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