Andressa Aguiar
Como eu contribuo no jornal da minha faculdade com matérias jornalisticas, vou usar esse blog para apresentar aos qua ainda não conhecem meu trabalho no jornal impresso.
A mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia, o Sairé mantém intacto o seu simbolismo e essência, porém com um toque de magia e sedução, encanta e atrai a cada ano novos deslumbrados pela festa.
A saraipora - responsável pela guarda do sairé (símbolo da festa), a juíza - que carrega a coroa da santíssima trindade e os auferes - dois homens que levam as bandeiras com símbolos do espírito santo e cantam as ladainhas em companhia dos moradores da vila, são alguns dos personagens que abrilhantam a programação religiosa que vem seguida de shows regionais e nacionais, exaltando ai a parte profana do evento, e com o fascínio do confronto entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, um dos momentos mais esperados pelos turistas.
No primeiro dia os mastros que indicam a fartura regional são hasteados, depois de retirados da floresta e decorados com frutas e bebidas, sendo erguidos no centro da Praça do Sairé. Para selar a abundância entre o povo uma divertida disputa é realizada entre homens e mulheres da vila, com diversas tarefas, entre elas a derrubada dos mastros o mais rápido possível.
A Amazônia é rica em lendas e tradições, mas nenhuma se compara à lenda do Boto. A fábula que envolve caboclas amazônidas sobre as crenças do irresistível sedutor homem/boto, contagia o festival e se tornou com os anos, o momento mais esperado nas noites em Alter.
Toda a trama e coreografia do folclore dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa gira em torno da sedução, morte e ressureição destes personagens, entre lendas regionais, tribos indígenas, a Cunhã-iborari, a Principaleza do Lago Verde, a rainha do Sairé, o Tuxaua, o Pajé e os pescadores. O enredo tem ideologia ecológica, pois ressalta a natureza, em especial, o Lago Verde, palco da trama. E quando o boto é morto por ordem do Tuxaua, pai da Cunhantã-iborari, que foi engravidada pelo golfinho amazônico, recai sobre ele a fúria dos maus espíritos da região. Por isso, a pedido do próprio Tuxaua, vem o pajé e ressucita o boto. "É a apoteose do folclore" anunciou a Prefeitura de Santarém em nota a imprensa.
"Em termos de organização, o sairé se superou em relação ao ano passado. Mas acho que por ser um dos eventos mais importantes do Pará já poderia ter um espaço melhor para as apresentações, o Sairódromo já está pequeno. Esse ano os botos se superaram novamente, pena que a disputa só se deu em uma noite, o que tirou o brilhantismo da festa. Os shows agradaram a todos." Avaliou Arides.O boto Tucuxi se consagrou o grande campeão deste ano, com uma apresentação que levantou a arquibancada e o corpo de jurados.
A festa ficou por conta de Jamil e Uma Noite, Banda Fruta Quente, Rabo de Vaca e Tatau (ex Araketu), contando ainda com artístas regionais que foram presença marcada em todas as noites.
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